A Amarelinha
“Vai Brasa”, “amarelo canary”, “em sete-zero o esquadrão” e outras babaquices envolvendo a seleção
Deve-se converter o diminutivo de uma cor no feminino em substantivo próprio? Devo escrever a Amarelinha ou a amarelinha?
Falo, claro, da camisa da seleção brasileira. Não, não falo da amarelinha das calçadas — que vem do francês marelle, que por sua vez tem origem no grego merel, que vem a ser o disco, ou a ficha, ou a pedrinha usada para jogar —, muito menos sobre O Jogo da Amarelinha, um dos romances mais importantes do boom literário latino-americano dos anos 60, de Julio Cortázar — centroavante argentino de um time que ainda tinha Mario Vargas Llosa, Gabriel García Marquez, Carlos Fuentes, Pablo Neruda, Ernesto Sábato, Jorge Luis Borges e o jovenzinho Eduardo Galeano, dos que me lembro.
Eu poderia dar uma de intelectual aqui e falar sobre O Jogo da Amarelinha de Cortázar em vez de escrever baboseiras sobre a camisa da seleção. Não o farei. Porque não é um livro fácil, não. Cortázar sugere, até, que ele seja lido de duas maneiras diferentes. Uma, linear, do capítulo 1 ao 56, quando teoricamente a história acaba. Outra, seguindo as instruções do autor, numa ordem pré-determinada que começa no capítulo 73, já que a obra inteira vai até o 155 — a partir do 57, Cortázar chama os capítulos de “prescindíveis”. Ou, então, o leitor que escolha a ordem que bem entender.
É bem louco e, como já dito, difícil. Não consegui terminar nem a primeira leitura, muito menos a segunda. Foi para o fim da fila, em que pese minha paixão automotiva por Cortázar.



