Adeus, Eldorado
O triste fim de uma rádio que eu quase não ouvia, mas que fez parte da minha vida
Eu estaria mentindo se dissesse a vocês que o fechamento da Rádio Eldorado, previsto para quinta-feira, dia 14, me tornará um ouvinte órfão. Há anos não ouvia a Eldorado, e para ser sincero só fui um ouvinte assíduo da emissora por pouco tempo e há muito tempo.
Foi lá pelos anos 90, e aqui posso estar enganado quanto às razões: se bem me lembro, era uma época em que no FM só a Eldorado levava notícias ao ar, com qualidade de som muito superior à das estações que, essas sim, eu escutava com frequência. Essas eram a Jovem Pan, a Bandeirantes e a Globo, respectivamente 620, 840 e 1100 kHz no AM. A Eldorado também existia no AM, em 700 kHz.
Ah, perdão, leitores e leitoras de fora de São Paulo — ou da “capital paulista”, como se diz hoje em rádio. Ninguém é obrigado a saber da existência dessas emissoras, muito menos de suas frequências. Mas é que me orgulho de um tempo em que recitava todo o dial do FM paulistano, começando pela Gazeta (88,1) e terminando na Brasil 2000 (107,3). Passando, claro, pela 89 (89,1), Eldorado (92,9), Bandeirantes (96,1), Cidade (96,9) e Transamérica (100,1), entre muitas outras. Julgava esses nomes e números imutáveis. Rádio sempre foi minha paixão. Apesar de ter vivido meus anos mais felizes como profissional em jornal impresso, era diante de um microfone, sem ninguém me vendo, que me sentia mais à vontade. Hoje isso não seria mais possível. Todas as rádios estão no YouTube. Além do mais, ninguém parece muito interessando em me ouvir, o que é perfeitamente compreensível.



