Fiquei olhando para o carrinho e pensando no que ele estaria pensando.
Acho que já disse, e se não disse digo agora, que acredito na alma dos carros. Não, não é papo de abobalhado que dá mais importância a um automóvel do que a gentes & animais — os seres vivos deste planeta, sejam eles taturanas ou camelos, suricatos ou cavalos-marinhos, humanos ou urubus.
Andei lendo umas coisas por aí a respeito de pesquisas sobre a consciência, que permaneceria viva e intacta mesmo depois a morte do corpo que a hospeda, há até estudos tentando comprovar que a consciência humana pode deixar um corpo vivo e sair flanando pelo espaço fora dele, transportando-se para qualquer lugar do mundo e em qualquer tempo, aparentemente.
Também aparentemente governos como os dos EUA, da Rússia e da China andam fazendo experiências secretíssimas para extrair a consciência do corpo de pessoas, e notem que estou usando “corpo” e não “cabeça”, “mente” ou “cérebro”, porque aparentemente os cientistas estão perto de demonstrar que a consciência não está armazenada, enfiada e arquivada dentro da nossa cachola, necessariamente, e que se já é sabido que nossos neurônios comandam um monte de coisa, quase tudo, como mexer os braços e coçar a orelha, bater uma falta e pisar no freio, talvez não esteja sob sua jurisdição esse troço meio etéreo que é a consciência, e que os religiosos e crentes chamam de espírito.
Daí que, defensor da ciência que sou, dou-me o direito de crer que carros carregam dentro deles, no que seria sua consciência própria, um compilado de vivências que viventes viveram dentro deles. Não sei se me fiz entender.
Bom, não importa.




