Só Copa (8)
Futebol africano comove o mundo com nove de suas dez seleções passando da fase de grupos; e vi isso "in loco" há 34 anos
A África classificou nove de suas dez seleções nesta Copa para a segunda fase, a de 16avos de final. Só a Tunísia foi eliminada. África do Sul, Marrocos, Costa do Marfim, Cabo Verde, Egito, República Democrática do Congo, Gana, Senegal e Argélia avançaram. Os sul-africanos, infelizmente, já deram adeus à competição na abertura do mata-mata neste domingo. Perderam sofregamente para o Canadá nos acréscimos do segundo tempo, uma crueldade com os Bafana Bafana, apelido carinhoso que se dá ao time nacional — quer dizer “os meninos, os meninos” em zulu.
O aproveitamento africano de 90% na fase de grupos, de qualquer forma, é o melhor de todos em termos continentais. A América do Sul classificou 83,3% de seus países — só o Uruguai dançou. A Europa, 81,2%. América do Norte e Caribe, apenas a metade. A Ásia (incluindo a Austrália, que disputou as eliminatórias asiáticas) levou 25%. Da turma que veio das eliminatórias da Oceania, não ficou ninguém. A Nova Zelândia foi degolada.
O futebol africano carrega histórias maravilhosas. Cabo Verde, por exemplo, é um conto de fadas com Vozinha e sua mãezinha. A República Democrática do Congo, ex-Zaire, também. Lembram-se do jogo do Zaire contra o Brasil em 1974 na Alemanha?
Foi um drama. O país teve esse nome entre 1971 e 1997, quando foi governado pelo ditador militar Mobutu Sese Seko. Foi a primeira seleção da África Negra a se classificar para uma Copa. Marrocos e Egito já tinham disputado Mundiais, mas não são nações subsaarianas, pertencem à África Setentrional, com forte influência árabe, inclusive.



Mobutu era um louco desvairado. O time, que usava verde e amarelo em seu uniforme, estreou perdendo da Escócia por 2 a 0. Depois da derrota, os jogadores souberam que não receberiam seu prêmio pela classificação para o Mundial. Na partida seguinte, tomaram de 9 a 0 da Iugoslávia. O general-presidente mandou avisar que se perdessem de quatro ou mais do Brasil, última partida da primeira fase, mandaria matar todo mundo. As coisas eram assim, antigamente.
O Brasil ganhou de 3 a 0 — placar que precisava para avançar. Lembro do último gol, de Valdomiro, chutando sem ângulo pela direita, um frango monumental do arqueiro congolês. Mas o lance mais marcante daquela partida foi quando um zagueiro do Zaire, Ilunga Mbepu, saiu da barreira quando o Brasil se preparava para bater uma falta frontal ao gol e deu uma bica na bola. Rivellino e Nelinho eram os cobradores. Chutavam forte pacas. Mas não foi o medo de ser abatido por uma bolada que levou Mbepu a, desesperado, tentar impedir a cobrança. Foi o medo de tomar o gol e ser condenado à morte pelo desgraçado do ditador. Ele só foi revelar as razões muitos anos depois.
A classificação da agora República Democrática do Congo é uma das lindas histórias dessa Copa. Não só por esse passado, claro, que com o tempo acabou caindo no anedotário do folclore da bola. É a atual situação do país, um colosso de mais de 100 milhões de habitantes, que aflige.
A RDC está em guerra civil, parte de seu território é ocupado por forças militares rebeldes apoiadas por Ruanda, há um surto de ebola, deslocamentos internos de milhões de pessoas, tensões étnicas, instabilidade política, a fome atinge um quarto da população, uma tragédia humanitária que tem como pano de fundo a disputa pelos recursos minerais do país — coltan (usado na fabricação de telefones celulares), estanho, ouro, diamante, cobalto, cobre, lítio, manganês, terras raras, zinco, nióbio e tudo que interessa à indústria de eletrônicos global. Não à toa, empresas chinesas e americanas manobram nesse tabuleiro que mói gente. (Se interessar, neste site aqui tem um bom painel sobre os conflitos na RDC.)
Mas haverá tempo para falarmos mais desses países que seguem na Copa, e hoje o assunto é a África do Sul. Queria muito que passasse, faria mais sentido o texto que segue abaixo. É um trecho de um dos capítulos de meu livro “Ímola 1994” (aproveito para fazer propagandinha de mim mesmo: pode ser comprado aqui, em até três vezes sem acréscimo; montei uma lojinha virtual, levei semanas para colocar esse troço no ar, façam com que eu pelo menos tenha a sensação de que valeu a pena!), sobre minha primeira cobertura de Fórmula 1 na terra de Nelson Mandela, em 1992. Espero que gostem.
“No início dos anos 90, a Varig alcançou o maior número de destinos internacionais servidos em toda a sua história com o lançamento das rotas para Georgetown (1990), São Francisco (1991), Cancun e Chicago (1993), Córdoba e Rosário (1996), Atlanta e Orlando (1997), e Washington (1998). Em 1993 a Varig também ampliou os voos para o Japão passando a voar para Nagoya e lançou a sua rota mais longa: Rio – São Paulo – Joanesburgo – Bangkok – Hong Kong.”
Encontrei essas informações no site varig-airlines.com enquanto procurava alguma explicação para o fato de ter embarcado para Joanesburgo, em 1992, mais de dez dias antes do GP da África do Sul. Estava atrás da frequência dos voos da companhia aérea brasileira para o país naqueles tempos, e foi tudo que encontrei. Aliás, minto: descobri que, em 1992, essa rota que nascia no Rio e morria em Hong Kong ainda não existia. Até então, para chegar à África do Sul, a Varig fazia Rio – São Paulo – Joanesburgo – Cidade do Cabo, e mandava o avião de volta para casa. De qualquer maneira, não devia haver muitos voos, e talvez tenha sido por isso, falta de lugares disponíveis mais perto da data do GP, que a “Folha” me mandou com tanta antecedência para cobrir a corrida de Kyalami. Na época, eu viajava sob a rubrica de “Repórter Varig”, com passagens permutadas por espaços publicitários no jornal.
A prova estava agendada para o dia 1º de março, e marcava o retorno da África do Sul ao calendário diante da perspectiva do fim do apartheid, o regime de segregação racial em vigor desde 1948. Apesar dessa política odiosa, àquela altura combatida por todo o mundo civilizado -- inclusive com boicote ao país por parte das principais federações esportivas do planeta --, a Fórmula 1 fechava os olhos para as barbaridades sul-africanas desde 1962, quando fez seu primeiro GP no circuito de East London. De 1967 a 1985, a corrida foi realizada em Kyalami ininterruptamente – a exceção foi 1981. Em 1986, finalmente, diante das pressões internacionais, ela foi excluída do Mundial.
A eleição de Frederik de Klerk em 1989, porém, sinalizou que as coisas começariam a mudar na nação mais racista do mundo. O novo presidente prometia acabar com o apartheid, libertar Nelson Mandela – que estava preso havia 27 anos – e promover eleições multirraciais em 1994. Nesse cenário, a categoria acabou decidindo pela volta ao país depois de sete anos de ausência.
Embarquei no dia 18 de fevereiro animado muito mais com a possibilidade de passar duas semanas na África do que, propriamente, com a abertura da temporada. Cheguei a Joanesburgo no final da tarde de quarta-feira, 19, no aeroporto Jan Smuts, assim batizado em homenagem ao primeiro-ministro do país entre 1919 e 1924 e, depois, de 1939 a 1948. Em 1994 ele seria rebatizado simplesmente como Aeroporto Internacional de Joanesburgo e, em 2006, ganhou sua denominação atual -- Oliver Tambo, importante dirigente do Congresso Nacional Africano, o CNA. Aluguei um simpático VW Golf branco e, com todo cuidado do mundo -- já que na África do Sul os carros têm volante do lado direito, como na Inglaterra --, segui para o centro da cidade para encontrar meu hotel. Na locadora, o atendente da Hertz me entregou um mapa indicando o caminho com caneta marca-texto, e não foi muito complicado chegar à minha nova casa pelos próximos 15 dias.
Minhas duas semanas na África do Sul renderam uma reportagem especial que só seria publicada no dia 20 de abril, sobre o estágio do futebol no país nos primeiros anos daquela década. Uma página inteira, com três fotos coloridas que eu mesmo tirei, contava as aventuras de jogadores e técnicos brasileiros pelo continente africano, explicava como eram financiados campeonatos e torneios e mostrava quanto arrecadavam clubes, atletas e árbitros a partir da receita obtida junto a organizadores e patrocinadores. A matéria ficou tão bacana que no dia seguinte o “Notícias Populares”, jornal que pertencia ao grupo da “Folha”, republicou tudo na sua contracapa colorida junto da foto de uma menina de biquíni, a “Gata do NP”. A legenda dizia: “O passe da deusa já tá negociado com a África do Sul”.
Produzi esse material nos dias anteriores ao GP com a ajuda de um estudante de jornalismo de Curitiba que fazia faculdade em Joanesburgo. Ele foi à minha procura no hotel, depois de conseguir o endereço de onde estava hospedado com um amigo na “Folha”. “Branco fica de fora do futebol na África do Sul” era o título do texto principal, que trazia entrevistas com o centroavante Pio, do Orlando Pirates, o ex-são-paulino Jaiminho, da mesma equipe, o volante Nilo Kirstner (do Dinamos), os meias Rony e Emerson e o goleiro Roberto Bittencourt (do Inter de Primrose) e Edgard da Silva (também goleiro, do Highlands Park).
Com exceção de Jaiminho, que fizera parte dos “Menudos” de Cilinho no Morumbi, todos os outros haviam começado a vida profissional em equipes pequenas do Brasil, como o Santa Helena (GO), o Hercílio Luz (SC), o Toledo (PR) e o Fernandópolis (SP). “O dinheiro é curto, nunca mais do que US$ 2 mil por mês, mas representa muito para atletas de currículo pobre e espírito cigano”, dizia o texto. Junto com meu novo amigo de Curitiba, tive a chance de ver de perto o comportamento abjeto dos brancos sul-africanos quando fomos com Jaiminho, negro, tomar uma cerveja num bar em área nobre de Joanesburgo. Assim que estacionamos, três jovens brancos vieram em nossa direção, não deixaram que descêssemos e urinaram nas portas do carro. Tivemos de sair dali correndo, para que não fôssemos agredidos.
Entrevistei também, para essa reportagem, um dos maiores contadores de histórias que conheci em décadas de jornalismo, o técnico Wander Moreira. Paulistano de 54 anos, desde 1974 ele peregrinava pelo futebol africano dirigindo equipes e seleções de países como Malawi, Somália, Sudão, Tanzânia, Moçambique, Suazilândia e, claro, África do Sul. Como jogador, no Brasil e na Argentina, defendeu 22 times em 11 anos de carreira – encerrada precocemente aos 28 anos com o joelho estourado. Caiu na África graças a uma excursão do Colorado que levou o governo do Malawi a convidar o técnico do time paranaense, Geraldino, para dirigir a seleção do país. Ele não aceitou, mas indicou o amigo Wander.
“Vendi tudo que tinha, peguei minha mulher e três filhos e meio – Mariana estava grávida – e nos mandamos para o Malawi”, me contou em seu modesto apartamento de dois dormitórios em Joanesburgo, onde vivia na época com o salário de técnico do Aces Total e um emprego de hidrógrafo para o governo de N’Dbelle, região tribal autônoma a 130 km dali. Seus “causos” eram impagáveis. Envolviam feiticeiros que escalavam jogadores, uniformes doados por missionários das Testemunhas de Jeová e confusões inacreditáveis por causa da dificuldade com os muitos idiomas falados nos países africanos: “Quando eu dirigia a seleção do Malawi, arranhava um pouco de inglês, mas meus jogadores não entendiam nada. Tinha um ponta-esquerda que insistia em jogar pelo meio, e eu disse a ele: ‘Play open!’. O cara não teve dúvidas. Continuou pelo meio, mas jogando de pernas abertas!”.
Passei horas divertidíssimas ouvindo as lembranças de Wander Moreira naquele pequeno apartamento de Jo’burg. Não mantivemos contato, mas anos depois fui atrás de alguma informação sobre seu paradeiro com a ajuda dos mecanismos de busca da internet. Acabei descobrindo que ele morreu em 2012 em Apucarana, no Paraná, depois de sofrer um AVC.
Calhou, no sábado da semana que antecedeu a corrida, de ser disputada a rodada dupla final do BP Top Eight, um torneio de início de temporada patrocinado pela British Petroleum que reuniu os oito melhores times de 1991. Uma dessas equipes era o Mamelodi Sundowns, de Pretória, que usava camisa verde e amarela com o antigo escudo da CBF estampado no peito – aquele com a taça Jules Rimet e um ramo de café, usado entre 1981 e 1991 pela seleção. Os jogos aconteceram no estádio First National Bank, um colosso para 105 mil pessoas inaugurado em 1989 que seria demolido anos depois para a construção, no local, do Soccer City – arena que recebeu a final da Copa da África do Sul, em 2010. Foi nesse dia que constatei aquilo que dizia a manchete da reportagem especial, que o futebol tinha se transformado em lazer quase exclusivo para os pretos no país, enquanto a minoria branca se interessava mais pelos grandes torneios de rúgbi.
Assisti aos dois jogos de dentro do gramado. Na preliminar, o Orlando Pirates goleou o Moroka Swallows por 4 a 1 na decisão do terceiro lugar. Na final, o Iwisa Kaizer Chiefs, do Soweto, conquistou o título ao bater por 1 a 0 o Sundowns -- também conhecido como “The Brazilians” por causa das referências à seleção brasileira em seu uniforme. Não existiam ainda as vuvuzelas, que atormentaram o mundo na Copa de 2010, e nas arquibancadas o público fez uma das festas mais bonitas que já presenciei num estádio de futebol. Comportadíssimo, alegre, colorido, musical, vibrava com todos os lances de todos os times e cantava sem parar. Homens brancos no estádio, ao menos os que consegui ver, éramos eu, meu amigo curitibano, o trio de arbitragem e os dois goleiros da partida decisiva. Hostilidade por parte da maioria negra? Zero. Zero, zero, zero.
Antes de começarem os jogos, um grupo de cerca de 30 cantores e cantoras negros, vestindo trajes típicos de tribos do continente, se colocou no centro do gramado, e o locutor do estádio pediu silêncio para o público. Não se ouvia uma mosca. O coral, então, diante de um único microfone num pedestal, começou a entoar o Hino Popular do Congresso Nacional Africano no idioma zulu.
Foi a coisa mais bonita que vi na vida.
Pitacos do dia
Scaloni, o técnico da Argentina, é uma simpatia. Talvez nenhum elenco goste tanto de um treinador — e a recíproca é verdadeira, ele é apaixonado por seus jogadores. Além de tudo, respeita a imprensa. Imprensa mesmo. Falamos aqui de Enrique Macaya Márquez, jornalista argentino de 92 anos que está em sua 18ª Copa do Mundo. Vejam abaixo que boniteza.
António Tadeia é um jornalista português que escreve todos os dias aqui no Substack. Gosto muito do estilo, da dedicação, do conhecimento. Sobre a decepcionante Copa do Uruguai, publicou “A traição de Bielsa”. Recomendo. “(…) Mas a maior traição foi a de Bielsa a si próprio, na forma como deixou transformar a excentricidade em amargura”, diz, a certo ponto. Para Leandro Stein, “o Uruguai fez um pacto com a loucura”. Foi muito triste, tudo. E ainda li que a federação uruguaia cancelou o voo fretado para os jogadores voltarem ao país. Cada um teve de se virar para ir embora. Para onde quisesse. Triste mesmo.
Como triste foi a eliminação do Irã depois de um empate esquisitíssimo entre Argélia e Áustria em 3 a 3, na noite de domingo. Os iranianos comeram o pão que Trump amassou. Não puderam passar uma noite em território americano. Devolveram a escrotice com esportividade, mensagens de gratidão e altivez.
No dia de folga depois de jogar alguns minutos contra a Escócia, Neymar saiu para comprar um relógio. Custou um milhão. De dólares.
Para terminar, rápidas palavras sobre os ataques que a CazéTV tem sofrido pela maneira como leva ao ar a publicidade de bets — ou levava, porque resolveu mudar a abordagem. Sim, comentaristas induzirem as pessoas a apostarem em determinadas odds é uma merda federal. Não deveriam aceitar a incumbência comercial, deveriam zelar mais pela profissão, pelo ofício, pela responsabilidade social. Mas não é NADA diferente do que fazem todos os outros canais com seus patrocinadores do ramo. A roupagem pode ser outra, mais limpinha e perfumada, mas é a mesmíssima coisa. Se a Justiça e o Conar resolveram, agora, atazanar o canal do YouTube, que façam o mesmo com a Globo, o SBT e todas as outras. Todas. Porque todo mundo tem patrocínio de bet. Ou proíbem essa merda de uma vez, ou deixem de hipocrisia. Está parecendo perseguição orquestrada.
Márcio Leal, leitor desta newsletter, fez o balanço final do desempenho por continentes que inaugurou nossa série há alguns dias. São só os resultados da fase de grupos. Com essa estatística, encerramos os trabalhos do DataGomes nesta Copa. Nossos computadores foram invadidos por hackers e achamos o pedido de resgate muito alto. Entregamos tudo.











Grande Flavio. Sou seu leitor há mais de 40 anos. Pude ver toda sua trajetória profissional, ler seus livros e assinar seu "blog" há alguns anos. Me alinho quase sempre com vc, tentando ser menos raivoso para ser mais leve, como pede minha esposa, quem realmente manda :). Disto isto, não gosto de teorias da conspiração e detesto hipocrisia, mas esta das bets na CazéTV, além de tudo o que vc escreveu, me pareceu também o timing muito "perfeito" para a Globo pedir esta ajuda do governo. Antes de mais nada, gosto de muitos jornalistas da Globo, mas "desconfio" fortemente que irão se alinhar mais com o Lula do que já estão. Outra vez, contra a família do gen..., o que é bom, mas a hipocrisia é terrível. Que aproveitem e acabem com todas as bets. Abcs e continue a nos mandar mais histórias como as do futebol Sua Africano.
Eu não sou a favor de significar ou atribuir valores as raças, pois temos a mesma origem e somos a mesma merda, mas nesse caso acho que vale ignorar a minha regra... A África não tem uma seleção campeã em razão dos flagelos que elas enfrentam, porém acho que o preto tem uma relação diferente com o futebol, usando dois exemplos, temos os descendentes dos escravos (Brasil) ou de imigrantes (França).. será mera coincidência? Não é que o preto tem o monopólio do esporte, mas tem magia. Scaloni ganhou a minha admiração, eu não sou jornalista, mas acho um absurdo a forma como são tratados pelos jogadores e técnicos. Por mais que haja maus profissionais da imprensa, ainda assim ela tem importância e contribuição para eles.